domingo

entre um verão e outro inverno

já é começado o outono
diz em silêncio
a natureza em transição
e em meio ao amarelado
das folhas em queda
sigo em penitente solidão


sol, zênite, equador
nenhum deles sabe
quanta é a minha dor
nem que faço versos
que ninguém vê
ninguém viu
enquanto tramitam
os dias de abril

2 comentários:

Déa disse...

Gostei muito de todas as poesias postadas, em especial (entre um verão e outro inverno), as palavras descrevem seus sentimentos e tristeza, demonstrando imensa sensibilidade a tudo e a todos ao seu redor.

Bjs.
Enigma

Henrique Coutinho disse...

O seu poema me faz pensar que o outono parece suscitar sensibilidades. Ou exacerbá-las. O aquietamento do sol, o fenecer de folhas parece mesmo favorecer o recolhimento e, aí, inevitavelmente, o encontro com a gente e as nossas mais profundas idiossincrasias , tristes ou alegres. A estação prenuncia um fim e isso faz refletir. É a minha estação, pois tenho gosto por essa aproximação de mim e até por uma certa solidão. Para mim, é a estação mais fértil - é agora que meu trabalho chega mais próximo de uma profundidade que acho desejável.