domingo

do céu que ainda restara


"Campo de trigo com ceifeiro e sol", Vincent van Gogh

albatroz clamei
sobre oceanos
sem burlar o avizinhar
de espectros
ritos meus não afugentaram
salteadores de estrelas

não detive o vento
com apelos de pétala
nem a lágrima reticente
impediu-me dos olhos
o transbordar
vazante da maré

restou abandonar a leste
os mapas de levantes
esquecer da lua o encalço
outros azuis tecer
percorrer trigais em
lugar da escuridão

2 comentários:

Graça Pires disse...

Não deter o vento. Esquecer a lua. Tecer outros azuis. Procurar a luz para não cair no escuro...
Um abraço meu Amigo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Aqui estou eu garimpando poemas na primavera desse ano que um dia se perdeu. Mas a estação continua viva em cada coração, assim como a tua poesia.