domingo

escolhidas as cores do auto-retrato


"Saint Remy", Vincent van Gogh

meu é este coração tão
espoliado da sede
que agora estanque
minhas as mãos que
adelgaçam reminiscências
de vertiginosas estrelas
ainda que nada reste ali
das promessas vazias
de ancoradouros

sou sim a memória dos
equívocos de pétalas
na ruína desfolhada
de tantos calendários
o registro nas estações
dos amores fugidios
que marcharam ao largo
mas antes ubíquos
nos meus dias à
semelhança do azul

2 comentários:

Graça Pires disse...

"meu é este coração tão
espoliado da sede"
Gostei disto. Um abraço.

VFS disse...

quantos malmequeres flutuam
no vão do desejo?
quantas amarras suspensas no tempo?

são as nostalgias do futuro que te preenchem.

mas sabes-te perdido nos tons de azul ...

Bonito!
Obrigado