sábado

Odisseu alheio às sereias


"Ulisses e as sereias", Pablo Picasso

já não fazia valsar a estrela
a sinfonia do cosmo silenciada
nem me devolviam os mares
o quanto a vida me saqueara
alertaram-me jardins que
amor-perfeito apenas era
epíteto de uma flor

mas em sonhos eu ainda cria
embora já não os tivesse
e nem ouvisse das sereias o canto
eu que num recôndito do peito
aquele oceano esquecido
trazia tatuadas indeléveis tintas
matizando o desencanto

4 comentários:

Leila Andrade disse...

Também de desencantos faz-se o amor, mas não deixemos a alma esmorecer, qualquer que seja o canto do dia.

Gostei da suavidade daqui, D'Angelo.
Ah, veja se gosta desse lugar:
www.diversos-afins.blogspot.com

Bjo

Graça Pires disse...

Odisseu. As sereias. Para que matizar o desencanto?
Um abraço.

Fabrício Brandão disse...

Esse objeto obscuro-claro apelidado de amor é capaz de questionar até mesmo as mais sinceras convicções.

Abraços poéticos, meu caro!

Van disse...

Ahhh o amor! Mesmo no desencanto nos encanta e prende. Como tuas palavras.
Bom te conhecer.
Beijucas

VAN FILOSOFIA!