quinta-feira

de uma dor que amanhecia


"Sombras no mar", Claude Monet


uma brisa destinada a
imaginários moinhos e velames
presságio da luz começada
estampou no meu olhar
abismos do amor ausente

manhã de desertos
que se fazia infinita
a vertigem do silêncio
secara assaz então
meu oceano de palavras
entre acenos de outubro
e os abandonos do azul

passava ao largo a
inexistência de gaivotas
ou de algum outro cais
menor que era ela ante
a solidão vingando
barcos em mim

Um comentário:

Graça Pires disse...

O presságio da luz. A vertigem do silêncio. O poema a crescer para essa dor amanhecida.
"passava ao largo a
inexistência de gaivotas
ou de algum outro cais
menor que era ela ante
a solidão vingando
barcos em mim".
A mágoa pode ser imensamente bela.
Um abraço d'Angelo.