quarta-feira

um chão que não de sete mares


"O Farol", Anita Malfatti

nos ideogramas da
tarde indecifrável
a rosa dos ventos era
antes rota de labirintos
do que rumo para o sol

farol e pressuposto dos
estreitos da solidão
que se adivinhava
o amor me deserdara
na faina de cada dia

dissonante então a vida
apontava-me mais
desertos para os passos
que oceanos imensuráveis
aos anelos do coração

2 comentários:

Graça Pires disse...

Quando na "faina de cada dia" o amor nos deserda faz-se deserto em nossos passos e não há oásis que nos socorra da sede...
É um belo poema este, d'Angelo.
Um abraço amigo.

João Videira Santos disse...

Um poema diferente colorido pela arte da cor