quarta-feira

do mar do amor que eu não singrava


"O mar de Pourville", Claude Monet

um barco sem ventos em
odisséia por hemisférios
distante do sol da paixão
é como hoje eu me retrato

vendo exígua e baça a vida
que constelada então sonhara
um gris sem leste aquele céu
que o azul antes engendrara

o coração meu aos poucos
se percebendo estanque
qual rosa que fora vermelha
e ora se revela exangue

3 comentários:

Graça Pires disse...

Na sua poesia vejo, quase sempre, o negativo da fotografia: o que é por trás do que parece...como diria Miguel Torga:
"Dois homens num só rosto.
Uma espécie de Jano sobreposto, inocente, impotente e condenado
a este assombro de se ver forrado dum pano de negrura que desmente
a nua claridade do outro lado".
Este seu poema é lindo e sensível, mas triste como sempre...
Um beijo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

O poeta é assim, ele vive essa tristeza que lhe é inerente. Por isso é tão sensível, tão triste-alegre na vida.
beijo no coraão

Mïr disse...

"um barco sem ventos
distante do sol da paixão
que o azul antes engendrara"