sábado

entre as ondas e outros mares


"Marinha com barcos", Arcangelo Ianelli

um navegador sem leme
ventos, bússola ou maré
eu ao adentrar pé ante pé
o oceano desta existência
o que explica as primaveras
tantas não singradas
os amores que não lograram
o mar da plenitude

eis o mapa de tal vicissitude
a recusa permanente e sem fim
ante um outro continente
ao deixar a vida inclemente
tatuar indelével em mim
nada além deste destino de
tropeçar na estrela caída ou
de na minha própria tempestade
soçobrar a cada tarde

8 comentários:

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Soçobramos em nossa existência; mas a poesia nos resgata do afogamento.
Lindo poema!
beijo no coração

Márcia disse...

um navegador que, de enraizado ao continente, recusa-se ( e anseia) aos aquáticos labirintos. e, evocando mishima, perde as graças do mar.

mfc disse...

E assim prosseguimos sempre buscando.

Graça Pires disse...

Adentrar o oceano da existência. Soçobrar na própria tempestade. Deixar que aquilo que nos perde, seja aquilo que nos salva...
Um abraço d'Angelo.

Barone disse...

Convite poético – indicado por Chico Mello

Olá, Chico Mello indicou seu nome para participar do projeto Poema Dia (http://poemadia.blogspot.com/). Se quiseres embarcar conosco será um grande prazer.

A idéia é simples: trata-se de um blog no qual cada dia do mês é adotado por um poeta ou mini-contista que, neste dia específico, posta um trabalho de sua autoria.

Fico no aguardo.

mfc disse...

Ninguém sabe o que aí virá... entretanto vamos lutando.

mundo azul disse...

Seu poema é muito bonito!
Tem alma...


Beijos de luz!

Graça Pires disse...

Sem leme. Sem ventos. Sem bússola.
Perdeu-se, meu amigo Angelo?
Um abraço.