sábado

no interregno do ocaso


"Paisagem com casa e lavrador", Vincent van Gogh

perambula concomitante
aos arroubos do sol
meu anônimo desencanto
e eu que quase sempre ontem
anseio um outro agora

mas a palavra não suprime
nem preenche ausências
diz-me a turba de pássaros
que pela tarde arvora
sentenciando o instante

e nada põe termo ou fim
à solidão renitente
que ladeia permanente
entreatos do coração
recôndito em mim

4 comentários:

Graça Pires disse...

"a palavra não suprime
nem preenche ausências"
É bem verdade. Mas a palavra pode ser a redenção, a magia, a liberdade. Às vezes as palavras pesam e um texto nunca diz a dor das nossas pequenas coisas...
Às vezes basta um poema para sermos salvos...
Um beijo meu Amigo d'Angelo.

mundo azul disse...

O seu poema é muito bonito!
Na forma e no conteúdo!


Beijos de luz...

Elizabeth F. de Oliveira disse...

'e nada põe termo ou fim
à solidão renitente
que ladeia permanente
entreatos do coração
recôndito em mim'
Acho que a única certeza do poeta é a companhia da solidão, essa amiga amarga que nos empurra para o abismo das palavras.
Lindo o poema, gostei demais!
beijo no coração

Márcia disse...

ao pôr-do-sol acentua o sentir de solidão. mas os pássaros, quase sempre, anunciam auroras. mesmo se cantam à tardinha.

um beijo daqui.