quinta-feira

no labirinto das estações


"Primavera Sagrada", Paul Gauguin

tudo quanto vicejava
era testemunho de que
os ritos do pólen
se mostraram fecundos
enquanto confirmadas
as lendas da estação

só eu destoava dos vôos
de asas e girassóis
contrapondo ao irisado
profuso de pétalas
descaminhos eternos
de um trôpego coração

eu que nascera outonal
e há muito sabia a primavera
desfeita em mim

5 comentários:

Graça Pires disse...

As palavras cercadas no labirinto da emoção. Um poema belíssimo. Com a melancolia de quem conhece a geografia das coisas sentidas...
"eu que nascera outonal
e há muito sabia a primavera
desfeita em mim". Muito belo mesmo.
Um abraço meu amigo d'Angelo

Beatriz disse...

Ler teus poemas é como deixar a alma navegar por prados verdejantes, percorrendo estações que já se foram e antevendo o prazer de ver as outras chegarem... é percorrer o caminho das estrelas apenas com o olhar passeando por entre versos tão sentidos. Deliciosa a tua Poesia!

Fica um raio de sol a brincar nas horas do teu dia.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Acho que todo poeta nasce mesmo outonal. Lindo o poema, transborda poesia e sentimento.
beijo no coração

mfc disse...

Contudo há sempre um renovar das estações...

Analuka disse...

Bastante triste, porém, também muito belo, com seu tom outonal, que lembra escalas menores, com seus meios tons e bemóis... Abraços alados azulados.