domingo

a sina do que não se pode habitar


"Quarto de dormir em Arles", Vincent van Gogh

perdido o encalço do
périplo da estrela
meus olhos já não alçam
grandes vôos
triunfa o desencanto
sobre todos os sonhos
muito da noite restará
ainda ao amanhecer

a vida seguirá estival
na próxima estação
e eu que colecionara
ventos e presságios
se ainda aqui
semearei a solidão
espargindo alguma poesia

o coração cumprindo
inelutável um destino
de casa vazia

4 comentários:

Márcia disse...

o simples e raro ato de espargir poesia faz de qualquer casa vazia, uma casa em perene floração.

um beijo grande daqui.

Graça Pires disse...

O desencanto. A noite. A solidão. Que enigma escondem essas palavras magoadas, quase um pranto?
É lindo o poema. Um beijo meu Amigo d'Angelo.

Alexandre B disse...

Dessa profunda solidão, nasce uma poesia de origens intactas, celebrante, viva constelada por belas imagens. Abraço.

Anônimo disse...

A solidão, muitas vezes, é uma escolha:
"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve..."
da saudosa Cecília Meireles.