sábado

a solidão como sextante


"Barcas de carvão", Vincent van Gogh


o que o traslado do sol
alardeava como novo era
só mais um novembro
e entre as dunas do tempo
eu contava nos dedos tudo
que o vento me levara

ah, quão pouco me restara
além de um destino assim
atracado ao desalento
eu que nunca tive o mar
mas conhecera do amor
tempestades e vazantes

eu que criara portos
em inúmeros desertos
por ter riscadas nas
areias de cada mão
a palavra e o desatino
como rotas por singrar

6 comentários:

Alexandre B disse...

Esse poema é uma aragem de beleza em nosso ser. Abraço.

Graça Pires disse...

Quanta melancolia neste poema, meu Amigo d'Angelo.
"só mais um novembro
e entre as dunas do tempo"
Um novembro de flores tão brancas como o luar nas horas de solidão...
Um abraço.

Assis de Mello disse...

Não sei como você consegue comprimir tanto lirismo num poema. Muita beleza, limpeza e precisão dentro da melancolia.

Coisa de mestre.

Um forte abraço,

Chico

Elizabeth F. de Oliveira disse...

'Eu que criara portos em inúmeros desertos...' Adorei o poema!
Grande abraço.

Márcia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Márcia disse...

mas o mar, creia, sempre há tempo de o ter.

um beijo.