segunda-feira

entre as águas sobrevindas


"Paisagem de Auvers depois da chuva", Vincent van Gogh

sem reminiscências do
azul que se exilara
tão somente o gris nos
domínios da paisagem
mais o deserto nas mãos
e no coração o silêncio
do que não medra

palavras não engendradas
onde o sol fora deposto
reinam acordes desferidos
pelo minueto da chuva
confundindo-me os olhos
desaguando arabescos
de sal e de solidão

3 comentários:

fernando cisco zappa disse...

esse teu gesto
aprofunda-me
a sensação
do mergulho

bravo!

evoé, meu caro poeta!

Graça Pires disse...

As primeiras chuvas são de sal quando começam no olhar...
Um beijo d'Angelo.

Alexandre B disse...

Belíssimo poema. Saudade. Abraço.