terça-feira

o pouco que a palavra tece


"Campo de trigo verde com cipreste", Vincent van Gogh

ao tempo que me deserda
digo que eu não queria
a vida assim
uma camerata silente
o amor que não se pressente
a rosa dos ventos não cabendo
na palma da minha mão

na odisséia do sol tenho
só os ocasos do coração
o pouco que a palavra tece
o azul que se perdeu
o horizonte que não se avizinha
a alma sempre sozinha  que
habita o poema meu

Um comentário:

Graça Pires disse...

Um ocaso, mesmo se for o do coração pode ser tão belo como o nascer do sol... As palavras tecem tudo o que quisermos, meu amigo d'Angelo. Não pode afastá-las do seu peito...
Um grande beijo.