quinta-feira

depois de desfeita a madrugada


"Os campos", Vincent van Gogh

feito asa reticente
me confundo a leste
percorrendo a espera
na promessa de mais
um dia nascente

solidão desenhada na
paisagem das mãos
o silêncio é circunvizinho
palavras relevo em troca
do que me alimente

minha fome que não
de vinho e pão
o coração por saciar
enquanto ave eterna
o amor não retornar

3 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Lindíssimo, d'Angelo!
Que bom encontrá-lo...
Abraço

Graça Pires disse...

Desenhar a solidão ma margem das mãos para não ter fome nem sede das palavras...
Gostei do poema.
Um grande beijo.

Analuka disse...

Pousei aqui após um vôo no Máquina Lírica... Bom descobrir este blog, com poemas tão pungentes!...
Um bocadinho melancólicos, sim, mas não por isso menos belos!
Abraços alados azuis.