sábado

desde então


"Canteiros de flores ", Vincent van Gogh

desde que em mim
adormeceram as canções
tão-somente solfejo
a métrica da solidão

pois que não tenho
das aves incertas
a desenvoltura
nem a amplidão
como um caminho

e não me recordo
com o que a brisa
me acenara
ausências desenho com
tintas esmaecidas

na estação sobrevinda
adentrarei maio
alguns tantos anseios
obliterados
e o amor mais ainda

2 comentários:

Graça Pires disse...

Um silêncio articulado em todas as contradições... Tudo é secreto se maio se repete dentro de cada anseio e de cada sonho...
Um belo poema, meu amigo d'Angelo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Tua poesia é reconfortante, ela tem um sentir poético que se traduz de forma sublime.
Lindo poema.
Abraços,