domingo

sua intrincada cartografia










"Navio pesqueiro ancorado em Ruen", Claude Monet

hoje sou qual um barco
à deriva soçobrando
sem sequer ter o azul, algum
norte ou mesmo quando

se desencantos navego
outros mares não intento
assim é meu périplo, sem
cais ou sinais do vento

o amor me confunde tal
sua intrincada cartografia
impondo-me circunavegar no
que a solidão me sentencia

2 comentários:

Graça Pires disse...

A circunavegar a solidão... A ignorar a cartografia para andar à deriva? Um poema bem ao seu jeito, meu amigo...
Um beijo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Tua solidão é beleza em tua poesia.
Qual a necessidade de barcos, azuis ou norte, se tens as palavras para espelhar tua alma?
Poesia é teu reflexo.