domingo

entre os polos














 "Lavacourt, sol e neve", Claude Monet

do outono que
se despede
fica o travo do que
me sentenciado
sem agravo, sursis
ou apelação

sem outros voos  
engendrar
mesmo sem asas
inverno assente
entre os polos
da dor migrar

do limiar  da
estação ao
hemisfério gris
da solidão

2 comentários:

Graça Pires disse...

A emoção inscrita em cada palavra do poema. Poeta com cada sílaba rente ao coração...
Um beijo, meu Amigo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

A solidão da tua poesia atravessa oceanos, vence terras distantes, muda de hemisfério. E cabe aqui ressaltar que para atravessar tudo isso é necessário asas, asas de poesia.
Ler-te é sobrevoar esse mundo, cuja geografia é de versos, cobertos de puro lirismo.