sexta-feira

ao contrário do outono














"Neve em Argentuil", Claude Monet

das palavras até
então cultivadas
como trigo ou centeio
agora nada semeio

e nas mãos acolho o
silêncio circunspecto
do que invernal me fere
uma dor que nunca breve

ao contrário do outono
que finda seus decretos
em mim a solidão é estação
que não prescreve

2 comentários:

Graça Pires disse...

Em nossas mãos, levemente adolescentes, há-de haver qualquer coisa que nos salve da solidão maior...
Gostei muito do poema, d'Angelo.
Já conheço a cor da sua melancolia.
Um beijo, meu amigo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Tua poesia é seara, e mesmo com essa estação que nunca prescreve, é possível ver germinar a beleza, palavras florescendo nesse solo fértil: a tua alma.