terça-feira

Cecília Meireles em mim


Cecília Meireles por Arpad Szenes

soçobram meus sonhos
assim como morrem
os meus navios
há muito não me reconheço do
lado de dentro do espelho
e sei que as minhas mãos
ambas se quebrariam
se o mar tocassem

por isso não me esqueço
nunca de você
quando vejo asas em
vôos rimados
ou mesmo a lua dispersa
e prometo ficar atento
aos motivos da rosa
se descuidado o vento
a despetalar

pois você, Cecília
umedece meus olhos
há muito empedrados
ante este mundo
por reinventar

sábado

ainda que poente o sol


"Semeador com pôr do sol", Vincent van Gogh

perspectivas ausentes
o que o coração procura
é um ponto de fuga na
arquitetura da tarde
e aplacado o sol em fúria
sinos sem falsete trazem
a sagração dos pássaros
e uma simples conclusão

seja nos jardins do Éden
ou mesmo neste labirinto
esta vertigem de sonhos
celeuma de asas e palavras
que denominamos vida
nada mais é que um avarandado
à espera do amor por visitante