domingo

ao sudoeste de amores















 
"O Sena em Bougival na tarde ampla", Claude Monet


sigo ao sudoeste
de amores
alheio assim sem
o que esperar

sem sagrar asas
em meio  à fogueira
das últimas sílabas
da tarde

sem vislumbrar   
um clã de estrelas
na noite que se
faz adivinhar

seguindo a vazante
do ocaso
no instante da luz  
em travessia

onde meu silêncio
é confesso
e a solidão mais
que alegoria

panegírico sabático ou manifesto alquímico para Assis Freitas














"O jardim em Arles", Vincent van Gogh            
                    
                         para o poeta Assis Freitas, dos blogs "Mil e uma palavras" e "Árvore da poesia" 


você tem a palavra
à flor da verve
dizem-me seus versos
em azuis bemóis

ao grafar árias
para girassóis
madrigais, haicais
e vesperais epifanias

ao circunstanciar
silêncios e volúpias
ao ser ave para
além de cercanias

de irisada sintaxe
sua poesia, ouro enfim
singular assim e plural
uma pedra filosofal
         

sábado

efêmero como o vento













 
"O monte Riboudet em Rouen na primavera", Claude Monet


na primavera sem
voos prossigo
como que adormecido
numa outra estação

sem a prerrogativa
de um abrigo à
dor em sustenido
que me é diapasão

sem asas em uníssono
sem naipes de movimento
sendo apenas palavra
efêmero como o vento

domingo

entre burlesco e insano






  



 

"Campos de flores e moinhos perto de Leiden", Claude Monet

longe das províncias ou
de paisagens de moinhos
sem feitos intrépidos  
apenas sei claudicar

sem galgar os degraus
entre passado e presente
ensejando miragens em
andante desengano

entre burlesco e insano
sem saber brandir a lança
ou uma armadura trajar
um reles tolo a versejar

anacrônico Quixote ante
a solidão e sua agrura
eu que nunca cavaleiro
porém eterna triste figura