sexta-feira

quando contemplas o mar


"Argentuil, fim de tarde", Claude Monet

para Graça Pires

penso em ti no que
da esplanada
contemplas o mar
exegeta desvendando
os vaticínios do vento

se alimentando de
imensidão
entre versos e preces
a nautas e gaivotas
enquanto te despedes
do sol extenuado

mas talvez somente
esperes das estrelas
a sutil chegada
quando serão tuas palavras
iluminuras pela noite
em pontos cardeais

e minha reverência
se torna indagação:
de onde vem a poesia tua
este cabedal de luz
que transbordas
na amplidão?

5 comentários:

mfc disse...

Vem de dentro... por ser um ente bonito!

Graça Pires disse...

Meu querido amigo, um poema assim entra no coração e os meus olhos enche-se da fragilidade... Há no corpo de todas as mulheres um desvio do mar e a linguagem do vento. Por isso digo: Deixa que teça o trevo na foz das minhas mãos para que seja verde a tua sombra...
Obrigada pelo lindíssimo poema e por todo o carinho.
Um beijo.

Adriano C. Tardoque disse...

Teus poemas são tocantes, de uma simplicidade impar e de profundidade incomensurável.

Luciana Marinho disse...

o mar que nos invade estando dentro de nós...

"vooleta" e "máquina lírica" estão em sintonia com as águas :)

beijos!!

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Um grande poeta homenageando outro e o resultado não poderia ser diferente: um belíssimo poema!
Abçs