21 de junho de 2014

nem uma clave de encantos e lampejos















"Estrada em Louveciennes, neve derretendo ao por do sol", Claude Monet


a paisagem desalinho
ao entoar palavras em
meio à luz que finda nos
pentagramas da solidão

pois é pródiga a tarde
em semitons de silêncio
que nem asas ou passos
podem desvanecer

ah, triste sina de sem
deuses ou amores
entender que fiar versos
se assemelha ao ocaso

onde nem uma clave
de encantos e lampejos
impede a escuridão

8 de junho de 2014

no que medro minhas palavras















 


"Guitarra-colagem ",  Pablo Picasso


espelhos quebro
no que medro
minhas palavras
a emoção estilhaçada
em caleidoscópio
sob o azul que
circunstante

de encalço e fuga
o instante
abismo da dor
intraduzível
entreato silente
que perdura

insígnia de asas
aprisionadas
ter só o verso
por assinatura

24 de maio de 2014

impossível como a luz












"Um grupo de casas de campo", Vincent van Gogh

tateio o ocaso entre
meneios de aves e
dobres de sinos
sem  promessa
de horizontes

como se em mim
ecoasse um  lamento
brônzeo em sarabanda
adivinhando a noite
em meio à revoada

como se a felicidade
fosse a tarde
em derrocada
escassa e impossível
como a luz

18 de maio de 2014

o índigo e o gris















"A colina de Montmartre", Vincent van Gogh

se me esqueço menestrel
é por não mais saber em
meu mosaico de passos
onde se envereda a luz

como que dando adeus
à tarde e às palavras
me faço fugidio e errante
num levante de silêncios

onde o coração se divide
entre o índigo e o gris
do amor e seus ardis

1 de maio de 2014

a dor que não se finda
















"Barcos no porto de Honfleur", Claude Monet

no que escrevo assim
à surdina, me esmero
em pouco desvelar
do meu coração cifrado
para quase nada dele
então segredar

recorro a barcos ou a
um imaginário mar
mas  tudo me deslinda
as palavras dissimuladas  
os versos consumados
a dor que não se finda