9 de fevereiro de 2014

um criptograma, o amor















"Jacqueline de mãos cruzadas",  Pablo Picasso

o que me é indecifrável
e me desenha  em solidão
é palavra que me inquire
esfinge por replicar

em seus inúmeros enigmas
um criptograma, o amor
com seus incontáveis nãos
e sempre a me devorar

1 de fevereiro de 2014

o que é secreto na brisa








   



"Natureza morta com pedra", Pablo Picasso

nada me consente
o instante de pétalas
no que me impera
a hora invernal

assim me vejo vesperal
a solidão transcendendo o
que é secreto na brisa
revés de asas, nada mais

o amor é assaz íngreme
não obstante seu lume ou
todos seus azuis sinais

19 de dezembro de 2013

o verdadeiro moleiro



















"Moinho de La Galette", Vincent van Gogh
 
moinho silenciado
meu coração da falta de
ventos se ressente
e  assim calado me traz
o travo do trigo ausente

pás inertes, bem sei
o amor é o verdadeiro
moleiro
e a vida se reticente
é pedra de moer sem dó
quem vive só

1 de dezembro de 2013

como deleite ou desatino



















"O escultor 2",  Pablo Picasso 

um amálgama de linhas e
palavras trago nas mãos
e tanto quanto desertos  
labirintos e silêncios
é parte de mim escrever

algaravias não teço pois
que o atributo do verso não
se me apresenta assim

porém apenas como bússola
em meu âmago e meu destino
como deleite ou desatino

11 de novembro de 2013

antes fuga do que dança



"Campo de trigo ao nascer do sol da primavera", Vincent van Gogh

antes fuga do que dança
os passos que ensaio são
memória de asas tão-somente
estátua ou pedra na estação

poucos olhos tenho para o
decurso da primavera
em mim a palavra prospera
porém silêncios mais ainda

a paisagem me deslinda
quase nenhuma espera trago
de primícias, voos, vida
mera ave sem saída