quarta-feira

de continentes perdidos


"O navio de escravos", John Wiliam Turner

com suas linhas de sal
machucou meu rosto
o tempo ido
mais do que faria o sol
se eu zarpado vida adentro

aferrei-me à terra
no medo ancorado
navegando não vislumbradas
enseadas
perdido foi o encalço dos ventos

quando o mar olha-me sem fim
pergunto-me como pude ser
tanto, tão náufrago de mim

Um comentário:

Henrique Coutinho disse...

Meu primo, ler esses versos é ver você por dentro. Maravilhoso quando fala do mais fundo de você. Para mim, a última estrofe é uma das coisas mais belas que escreveu.