18 de maio de 2013

folhas em despedida



"Alameda de choupos no outono", Vincent van Gogh

nada bucólicos são
os campos da solidão
onde intento arpejos
numa lira emudecida

sem apreender que
como mensagens
o outono amarelece
as folhas em despedida

ou que amores, versos
acordes, mesmo eu
não mais seremos do
que página esmaecida

7 de maio de 2013

antes que azuis ou barcos



"Barcos", Claude Monet 

esse desencanto que assinalo
em meus mapas como mar
norteia antes que azuis ou barcos
as milhas dessa solidão que
só eu posso mensurar

onde é inútil toda nostalgia
ou o que se possa singrar
onde o amor é palavra em
permanente soçobrar
 

14 de março de 2013

onde os sonhos ainda se escrevem à mão














"A leitura", Pablo Picasso

Para Elizabeth F. de Oliveira, do blog "Pausa Para Um Café"

um oceano de girassóis
a poesia tua
onde brisa e palavra
se entrelaçam em
suave dança
em versos de quase
sempre primavera

onde teu olhar espera
pela estrela que fere
o firmamento
adivinhando o amor
em seus adágios
ou acalentando páginas
em teu azul intento

onde os sonhos ainda
se escrevem à mão
com as tintas da sutileza
num cais de imensidão

24 de dezembro de 2012

sem contraponto ao silêncio
















"Mandolim e guitarra", Pablo Picasso

desenho versos sem simetria
a métrica minha tão símile
aos solfejos do vento

se a palavra se faz arredia
sem contraponto ao silêncio
relegado fico ao relento

assim sob a noite que se fia
sem olhos para as estrelas
alheio aos azuis do momento

8 de julho de 2011

em meio às celebrações do vento


"Paisagem marinha, efeitos da noite"", Claude Monet

neste mar que é
a solidão
que me cerceia
releituras de
estrelas faço
circunstâncias do
inverno contemplo

e desde que nada
nada intento
palavras sobreponho
à dor que medra
em meio às celebrações
do vento

25 de junho de 2011

um amor que assim se revele


"Menina com boina vermelha", Pablo Picasso

espero um amor que
assim se revele
como ou feito o céu que
quando for estelar

que não seja palavra
arredia, criptografia
mas chão de aconchego
nunca revolto mar

e que norte seja de
azuis imensuráveis
um códice de asas traduzido
por manifestos do olhar

17 de junho de 2011

quando contemplas o mar


"Argentuil, fim de tarde", Claude Monet

para Graça Pires

penso em ti no que
da esplanada
contemplas o mar
exegeta desvendando
os vaticínios do vento

se alimentando de
imensidão
entre versos e preces
a nautas e gaivotas
enquanto te despedes
do sol extenuado

mas talvez somente
esperes das estrelas
a sutil chegada
quando serão tuas palavras
iluminuras pela noite
em pontos cardeais

e minha reverência
se torna indagação:
de onde vem a poesia tua
este cabedal de luz
que transbordas
na amplidão?

4 de março de 2011

caixa de música


"Clarinete e violino", Pablo Picasso

sem ressonâncias
de brisa ou
tardes de girassóis
meus versos quase
sempre têm a
clave da solidão

mas se entreaberto
meu coração
qual caixa de música
transbordo sutilezas
e minuetos
ao palavras entabular

o amor sendo chave
e passaporte para
todo possível sonhar

24 de fevereiro de 2011

elipses e bemóis


"Arlequin", Pablo Picasso


semibreves do vento
ou o matiz da manhã
nada me afaga a alma
e abandono palavras
por rimas de silêncios
elipses e bemóis

desdenhando sonhos
o outono antecipo
e assim circunscrevo
a atual estação
neste périplo sem asas
que é a solidão

22 de dezembro de 2010

como mote ou como mar


"Homem sentado com espada e flor", Pablo Picasso

enquanto engendro versos
o coração não se compraz
e o tempo me despe de
sonhos sem se apiedar

a vida segue a esmo
indômito barco fugaz
sou um cais de ausências
horizonte nenhum no olhar

contraceno com silêncios
gestos vazios, labirintos
a tristeza em lugar do amor
como mote ou como mar

18 de julho de 2010

por vezes


"Moinho em Zaandam", Claude Monet

por vezes sou moinho
indiferente à paisagem
asa que ao longe desvanece
e se escrevo silêncios é
por desertos contemplar

mas ainda ouço atento
as narrativas da brisa
sigo os passos das águas
olhos tenho para tudo
que for estelar

remanescem em mim
o ofício da palavra
o confabular dos sonhos
e o que o coração ainda
possa ensejar

25 de junho de 2010

da ausente melodia


"Natureza morta com guitarra", Pablo Picasso

na solidão é monocórdio e
sem arroubos o coração
e existir não mais do que a
récita de uma lira quebrada

mas se uma só palavra
transgride o silêncio
um verso me espreita
e eis a vida constelada

entrelinhas e sonhos
agora em minhas mãos
onde antes havia nada

19 de junho de 2010

das esquinas abissais


"Praia e falésias em Pourville, efeito da manhã", Claude Monet

endereço palavras num
oceano sem saída
sou só um barco ausente
que sempre dista do cais

âncora lançada no ar
minha dor é decassílaba
e a solidão me navega
por azuis e transversais

17 de junho de 2010

líria porto ao mar


"Retrato de mulher com chapéu", Pablo Picasso

Para Líria Porto, do blog Tanto Mar

quando se liquefala
num uni(co) verso
entre o voo e navegar
me faz crer que ver seja
não só com os olhos
mas com o coração

doida de pétala
single lar seu cais
assim me abissalva
com suas borboletras em
flores de aço, cenas
enquanto cotidiana
indaga ação