"Mulher na janela", Pablo Picassopara Márcia Maiaum orquidário de versos tua
poesia por uma lira acalentada
assim em sexteto executada
mais redemoinhos, sóis e altiplanos
a palavra espreitando oceanos
atando pétalas ao cotidiano do
que medra em circunstância
seja a estrela celeste ou do atol
lua e amor em quarto crescente
a pedra da rua ou o azul lençol
espelhos, rios, varanda e entreatos
dias santos ou encantos do pecado
tudo no teu canto, tudo faz pensar
que o gris deve sempre ao irisado
ceder tanto a vez quanto o lugar
encontro ainda breves adagios
e mais do que a tarde abreviada
para além de sombra e catavento
o que fere e o que acalanta
e um girassol que se agiganta